—Eu queria, ao menos, ir estar em casa do pae algum tempo...—disse a senhora.

Nicoláo involuntariamente franziu o sobr’olho, e disse:

—Já se vê que não estás o melhor possivel com teu marido...

—Falsa interpretação, acudiu o pae. A menina não dizia isso, primo. Saudades da casa paterna implicam o bem-estar com o marido?

—É conforme...—atalhou Nicoláo.—Pois sim, iremos a Chaves.

—Não vamos, não, primo, atalhou Beatriz despeitada, simulando conformidade.

—Então vamos ou não vamos? perguntou o marido, entre risonho e contrariado.

—O que fôr da tua vontade—respondeu ella affavelmente, sopesando o despeito, como quem, apezar do melindre maguado, queria ir.

De feito, ao outro dia partiram para Chaves.

Beatriz cobrou as côres e a alegria dos olhos, assim que viu a janella do seu quarto, e os craveiros em flor, que ella cultivára. Parecia-lhe a ella que amava mais seu marido alli. Appareceram-lhe as amigas da infancia, alegres, buliçosas, esplendidas de vida, contando-lhe os seus amores, as suas esperanças, as venturas de outras amigas. E Beatriz escutava a chilreada d’estas avesinhas com os olhos aguados, e o coração cerrado. Por supremo esforço, desprendia um sorriso, e então era peior, que as lagrimas rebentavam para afogar a falsa expressão do seio angustiado.