—Porque soffres, prima?—perguntava elle.

—Eu não soffro.

—Mas que tristeza é essa?

—Sinto-me adoentada. E tu que tens, Nicoláo?

—Nada, Beatriz.

—Mas estás tão pensativo!...

—Medito na nossa sorte, e vejo que nos enganámos. Esta vida solitaria não quadra ao teu genio. Tu querias os brinquedos de solteira; e eu casei tarde para lhes achar prazer.

O silencio de Beatriz irritava-o; mas a delicadeza continha-o.

E, por este theor, travavam curtos dialogos, que rematavam em raiva suffocada.

Um dia, Beatriz não saiu do leito para a mesa do almoço. Nicoláo mandou-lhe a bandeja ao quarto pela criada. D’ahi a pouco foi elle, e viu intacto o almoço.