—Na provincia ignora-se essa coisa... Pois... Vocês teem a certeza...?

—Vi-os eu no Porto, em 1834 até 1839. Isto é do dominio universal desde a rua da Reboleira até á viella de Fradellos, na cidade invicta!

—Sabem se elle está por ahi, o Mesquita?

—Não.

—Deve estar, e eu vim procural-o. Saí de Chaves a buscal-o em casa. Disseram-me que elle tinha saído para Villa Real. Em Villa Real tive noticias que elle passára em Amarante. Em Amarante disseram-me que o tinham encontrado em Baltar. O homem está aqui e agora me convenço de que a franceza não é estranha a esta mysteriosa jornada. Pobre Beatriz! Lembras-te d’aquella minha prima que te mostrei em Chaves, Albuquerque?

—Ainda ha pouco falei d’ella. Que linda mulher! Já sei que ella casou com o Mesquita. Não lhe fazias tu a côrte n’aquelle tempo?

—Amei-a com o unico amor nobre e santo que tenho experimentado; mas, como tudo que é nobre e santo não apega n’esta lama do mundo, assim que a vi despregar o vôo para as serenas regiões do matrimonio, agarrei-me ao pandeiro de uma andaluza, e fui terras de Castella dentro, em conquista d’aquelle gallego coração, que só me comprehendeu, depois que eu lhe mostrei um porte-monnaie maior que o coração. Quando voltei, achei minha prima casada com o primo Nicoláo. As melhores flores d’aquelle rosto estavam amortecidas; mas ainda assim, não sei de outra mais linda. Ha de haver seis dias que cheguei a Chaves, e encontrei grande agitação em casa do tio Martinho Xavier. Era Beatriz que estava em perigo de vida a lançar golphadas de sangue...

Abriram-se de golpe as portas de um quarto, e appareceu Nicoláo de Mesquita, com as faces incendidas e os cabellos descompostos. Volveram todos áquelle ponto os olhos, e Raphael Garção vacillou em reconhecel-o.

—O sr. Raphael Garção pode entrar no quarto de Nicoláo de Mesquita—disse o morgado n’um tom solemne, que pareceria ficção theatral, se elle não estivesse febricitante.

O de Fayões entrou como espavorido d’aquelle aspecto esgazeado.