—É falso...
—Falso é o teu juramento, Beatriz! Não me desmintas, que eu justifico-me na presença de teu marido.
—Por quem é... por alma de minha mãe!... bradou ella soluçando.
—Tua mãe foi uma santa. Se está no céo e te vê a consciencia, lá mesmo ao ceu lhe mandaste um inferno, coração perdido! Ficas sabendo que eu vigio as tuas acções e as de Raphael. Escuso de seguir-te a Palmeira. Eu hei de saber pontualmente a hora a que te precipitas. Então me verás!...
Voltou o rosto ás lagrimas da filha e saiu.
Dias depois, preparadas as bagagens, e posta a hora da partida, foi Nicoláo avisar o sogro. Martinho Xavier estava de cama com febres, e differiu a sua ida para mais tarde. Observou o morgado que elle, ao apertar-lhe a mão, chorava. Foi despedir-se da filha á cabeceira do leito; e, n’um instante que ficaram sósinhos, disse-lhe o pae:
—Se Deus me levasse agora d’este mundo, furtava-me á formidavel angustia que me preparas.
—Juro-lhe que não.
—Antes do terceiro juramento, perder-te-has—murmurou Martinho Xavier.
Despediram-se.