Beatriz saiu no proposito de esmagar o coração debaixo do peso da honra. Estava aberta uma egreja, e ella entrou a pedir á Virgem que lhe désse forças, e orou longo tempo. Ergueu-se consolada e forte.
Escreveu a Raphael supplicando-lhe que lhe não escrevesse mais, que a deixasse morrer de saudades, mas sem o stygma de uma vilipendiosa desgraça. Prometteu-lhe amal-o no céu; e pela vida de seu filho, jurou que se mataria antes de ultrajar seu marido.
Esta carta era uma rehabilitação.
Foi para Palmeira. Ia doente e amargurada. Parece isto contra-senso. Devia ir jubilosa de sua valentia. Não é assim. As mulheres, depois d’estes triumphos, caem desfallecidas. O que lhes dá forças a ellas são as fragilidades.
Passados quinze dias, espantou-se ella do silencio de Raphael, e disse entre si: Não me tinha amor! Passado um mez, disse: Tenho-lhe odio!
Martinho Xavier convalesceu rapidamente, assim que lhe deram uma alegre nova.
Foi a Palmeira, e, na presença da filha, fallou assim a Nicoláo:
—Não sabes a façanha de Raphael?
—Não sei nada. Aqui não tem vindo ninguem d’esses sitios.
—Pois ouve lá...