—Que importa?
—Bem sabes que nos faz um sermão.
—Ouviremos o sermão com devota paciencia. Vamos ouvir este sublime doido... Elle olha para nós... reconhece-nos...
E chamou-o com um aceno.
Raphael avisinhou-se: faltava-lhe ar, como se o coração, dilatado pelos arquejos, lhe tomasse todo o peito.
—Venha cá, D. João, venha cá!—disse com alegre sombra Nicoláo—que é feito de si, homem perdido?
Raphael cortejou grave e cerimoniosamente a prima; abraçou o morgado, e respondeu solemne:
—Homem perdido... é o nome que justamente me frisa. Perdido como todos os homens que atiraram o coração ás sarças de desesperança.
—Que estylo!—atalhou Nicoláo, e que merencorio gesto você está fazendo! Tire lá essa mascara dos quarenta annos, e seja rapaz emquanto seu tio Martinho não apparece por ahi.
—Está cá meu tio?