—E não sei—disse meditativo Braz Luiz—como esse nome me desperta coisas da minha primeira mocidade!
—Póde ser—tornou o hospede—que, no tempo em que vossemecê estudou, se fallasse ainda no lente fugitivo.
—Creio que sim: ha de ser d'esse tempo que me vem estas vagas memorias—redarguiu o Olho de Vidro.—Creio até que elle teria sido contemporaneo de meu sogro.
—Provavelmente seria—obtemperou Francisco Luiz.
—E a mim me está parecendo—acrescentou D. Josepha—que alguma vez ouvi meu pae proferir esse nome.
—Ouviu?—perguntou o hospede com o coração sobresaltado.
—Ouvi, sem duvida... Francisco Luiz de Abreu... Pois não ouvi? quantas e quantas vezes?... Que fim teria esse homem?
—Provavelmente morreu, senhora—respondeu o hebreu; e proseguiu sem sensivel mudança de rosto:—Pois ahi tem, senhor doutor Braz, outro exemplo de perseguição á medicina. Ainda bem que vossemecê não teve de provar que o seu apellido nada tinha que ver com o do medico fugitivo.
—Nada—balbuciou Braz Luiz, receando que, depós isto, disparasse a affrontosa pergunta de quem era filho.
Francisco Luiz, n'este lance, lembrou-se da resposta que o Olho de Vidro lhe mandára bastantes annos antes, e sorriu-se interiormente do dito d'aquelle hebreu, que ao mesmo lhe escrevia presumindo que Braz Luiz de Abreu era filho sacrilego de um frade, senão fosse filho de tres frades ao mesmo tempo.