N'este comenos, Braz Luiz, fitando o ouvido, como se ouvisse voz no interior da casa a chamal-o, ergueu-se.
—Ninguem te chamou, Braz—disse D. Josepha.
—Parece-me que sim... ouvi que me chamavam.
—Não serão familiares do santo officio, que me requeiram para maior gloria de Deus!...—observou o hebreu como comico tregeito de quem se esconde.
—Venha comigo á sala, D. José, se não tem muito frio—disse o Olho de Vidro.
—Quem fallou na inquisição que sentisse frio? Estas praticas são excellentes no inverno...—respondeu Francisco Luiz, cuidando que o seu hospedeiro amigo lhe ia solemnisar com toda a gravidade possivel os sustos de o ver a braços com o santo officio.
Braz Luiz, entrado á sala, deu alguns passeios meditativo, examinou as portas receiando a curiosidade da familia, e disse a meia voz ao muito attento e como espantado hospede:
—Conheci-o, e conheci-o muito.
—A quem?! perguntou como já esquecido Francisco Luiz.
—A Heitor Dias da Paz.