—Diz, meu querido amigo.

—Venho pedir-te dinheiro para fugir de Portugal.

—Tel-o-has. Minha mãe já não vive, e eu tenho uma legitima. Conta com ella.

—Bem hajas! bem hajas, meu Francisco! Mas venho pedir-te mais alguma coisa.

—Diz.

—Eu tenho um filho de quinze dias. Não posso fugir com a creancinha. Aceitas-m'a no regaço da tua caridade? Ficas com o meu filhinho, para m'o restituir, quando a felicidade me bafejar?

—Ficarei como teu filhinho, Antonio. Dar-lhe-hei o coração que te dou a ti. Se Deus o não tiver levado, quando voltares, achal-o-has. Não lhe direi o teu nome de pae, sem que tu lh'o possas dar. Ninguem saberá que é teu filho, sem que tu possas dizel-o ao mundo.

—É assim que t'o roga a minha alma attribulada... a ti e a Deus, que me está fallando no teu coração. Porque não hei de eu ajoelhar a teus pés, se creio que em ti está o Senhor da compaixão e da misericordia?!

Francisco Luiz de Abreu levantou nos braços o arquejante moço; e, não menos commovido, ratificou as promessas feitas.