—Dá-me a vida das duas filhas que te restam, e vem tu com ellas. Rasga-lhe as mortalhas, antes que o coveiro as esconda, e o sino dobre por ellas.
O padre chorou muito, inclinado ao peito do velho, e não respondeu.
Voltou o caminheiro á sua cabana, e os pobres olharam-n'o com muita amargura, porque a sombra d'elle era como de arejo vindo da região dos sepulchros.
Uma tarde, não longe d'aquelle dia em que se finára a quarta professa de S. Bernardino, appareceu em Verdimilho o padre Braz Luiz, atirou-se esbofado aos braços do hebreu, e disse-lhe:
—Dê-me as minhas filhas!
—Pede-m'as a mim?! É a Deus que as deve pedir... ao seu Deus, que resuscitou muitas...
—Não peço as mortas; quero as vivas.
—Que sei eu das vivas? Esperava que morresse uma para lhe ir pedir a ultima.
—Pois minhas filhas não estão aqui? exclamou Braz Luiz de Abreu.
—Aqui?! não vê que toda a minha casa é esta cabana?