Em 1739 saiu elle caminho d'Aveiro, pela primeira vez. Os pobres seguiram-n'o, e disseram-lhe:

—Não voltaes mais aqui, nosso bemfeitor?

—Voltarei, filhos. Á noite serei comvosco.

E caminhava a pé, abordoado n'um cajado que lhe dera um dos seus pobres.

Chegado a Aveiro, entrou na egreja de S. Bernardino, acantoou-se no mais escuro d'ella, e assistiu aos responsorios da segunda filha de Braz Luiz de Abreu, a qual estava sobre a eça.

Saiu, parou á porta do pae da defunta, subiu, entrou á saleta em que elle recebia os pesames, apertou-o nos braços e disse-lhe:

—Dá-me a vida das tres filhas que te restam, e vem tu com ellas.

O padre derramou copiosas lagrimas, e não respondeu.

Voltou Francisco Luiz á sua cabana da ermida, e os pobres, ao outro dia, confluiram das suas aldeias a dar-lhe as boas vindas.

Em 1740 fez o hebreu a mesma caminhada, entrou na mesma egreja onde se resavam responsos, na mesma saleta onde chorava um velho, e disse-lhe: