No dia immediato, visitou sua mulher, e recommendou-lhe que desse um passeio no jardim que estava o dia agradavel. Ás tres horas procurou-a para jantar ao pé d'ella. Disseram-lhe que a senhora tinha sahido n'uma cadeirinha, e deixára uma carta para seu marido.
Não vi esta carta, mas infiro o contheudo pelos successos subsequentes.
D. Angelica obteve, vinte e quatro horas depois, licença de seu marido para entrar n'um convento, situado n'um ermo do Minho. D'ahi escreveu a sua filha, pedindo-lhe uma esmola para sustentar-se, visto que o trabalho não bastava para as suas pequenas necessidades.
Ludovina apressou a sua volta para o Porto. Obteve licença para visitar sua mãe, e demorar-se no mosteiro por tempo indeterminado. Acompanhou-a o marido e deixou-a com a certeza de a trazer comsigo passados dias.
São decorridas dois annos. A baroneza de Celorico ainda não sahiu do convento. O barão soffre resignado a certeza de que sua mulher não sahirá jámais.
A opinião publica diz que Ludovina merece louvores por não ter o descaramento petulante de apresentar-se como outras muitas, incursas no mesmo peccado, e declara a alta virtude de D. Angelica, mãe amorosa que deixa a sociedade para se inclausurar com a filha desamparada.{188}
Melchior Pimenta está bom, e é commensal do barão.
Antonio de Almeida encetou, ha dois annos, uma longa viagem d'onde não voltou ainda.
O bacharel Ricardo de Sá comprou mais tres bengalinhas, e dá a ultima demão ao seu SECULO PERANTE A SCIENCIA.
São hoje 15 de fevereiro de 1858.