«Calcinam os beiços como o acido hydrochlorico.

«Queimam a laringe como o acido phosphorico.

«Laceram o esophago como o acetato de chumbo.

«Fulminam e despedaçam como o acido hydrocianico.»

Em quanto elle repuxava o vapor do incombustivel rôlo de erva-santa (que blasfemia! santa!) façamos tremendas reflexões:{14}

Um «manual de chimica para uso dos leitores de romances» é instantemente reclamado. Sente-se na litteratura este vazio desde que a novella é um extendal da sciencia humana; e esta póde, sem immodestia, graduar-se assim.

Quando se escreviam bacamartes para as gerações soffredoras, que os lêram, o sabio repunha ahi em azedo vomito as indigestas massas, que ainda agora resistem ao dente roaz da carcoma e da ratazana, nos lotes esboroados das bibliothecas.

O in-folio era uma crença, uma religião, uma faculdade d'aquellas gordas almas, que resumavam pingue chorume por tres mil paginas em typo-breviario.

Não vos faz melancolia vêr a lombada d'esses enormes volumes aprumados n'uma estante? Não ha n'aquelle aspeito triste alguma cousa que vos faz crer que o in-folio chora pelo frade?

Agora não se escreve d'aquillo, posto que o saber humano seja mais vasto, e opulentado com as vigilias de dois seculos laboriosos. Reina o romancista, que é o successor do frade, na ordem das intelligencias productivas.