«Sabeis quem reduziu esse vegetal a tão quebrantado estiolamento?

«Foi o charuto!

«O contracto do tabaco empeçonhára a seiva d'esse moço, que os fados, menos poderosos que os caixas, talvez tivessem destinado para exercer o magisterio do folhetim, maximo esforço de intelligencia, n'uma época, e n'um paiz, cujo amor ás letras não vale a correspondencia de uma local bem poetica como a do baile do sr. fulano.

«Voltae para esse corpo achacadiço e apodrentado o vosso animo beneficente, Sanchos-Panças lerdos, pantalões administrativos!

«Chamae a juizo os vampiros que sugaram o soro d'esse sangue aguado que o faz tolhiço para tudo.

«Fazei a autopsia de um charuto como este—proseguia Francisco Nunes, parando e contemplando as nervuras negras do rôlo de folha, que semelhava uma rolha de cortiça queimada—e vereis que ha aqui dentro um talo de couve lombarda, uma carocha secca, uma folha de leituga, uma casca de bolota, e tres grãositos excrementicios de rato ou coelho.{18}

«Horrivel, e sujamente infernal!

«Senhores deputados! não se mata assim impunemente um povo![[2]]

«As nações tyrannisadas, quando a oppressão requinta, erguem-se como um só homem, e fogem para o Aventino.

«Os envenenadores congregaram-se em conciliabulo de abutres, e crearam o charuto de vintem, a pitada do meio grosso, e o cigarro onde cresce o musgo como em parede velha. Cadafalso para os envenenadores!