—Se fôr negativa...
—Obedece?
—Como filho dependente; mas os dias da minha existencia serão poucos, e attribulados...
—Mas isso é horrivel, sr. Sá! Minha pobre filha succumbe... V. s.ª mata a mulher que mais o amou, a unica n'este mundo que o compreendeu, um anjo que não viu outro homem digno d'ella... Que diz a uma mãe consternada, sr. Sá?
—Minha senhora... a nossa posição é desgraçadissima.
«Remedeie-a, que póde. Se seu pae o não acceitar casado, tem a casa de sua mulher, onde será recebido como filho... Oh! que insensibilidade! o senhor não ama Ludovina!
—Se a não amo! Isso mata-me, snr.ª D. Angelica!
«V. s.ª é que mata uma santa, uma martyr...
—Segui'-la-hei na morte...
«Pois o melhor é viverem ambos!—disse D. Angelica, desafivelando a mascara da amargura, e abrindo o riso mais galhofeiro e fulminante que imaginardes, leitores phantasiosos—V. sr.ª tem sido logrado desapiedadamente, snr. Ricardo de Sá. Peço-lhe que viva muito tempo, porque uma pessoa como v. s.ª não deve morrer, em quanto a tristeza, que foge ao riso, andar por este mundo. Snr. Sá, é preciso dizer-lhe que minha filha ouviu esta nossa scena comica, e acredite que o magnetismo não operou a approximação. Eu comecei a falar-lhe{36} em minha filha para pedir ao seu cavalheirismo que não a inquietasse, porque vae esposar um homem que seu pae lhe escolheu. V. s.ª alumiou-me o entendimento, deu-me um alegrão inapreciavel; e voltou as minhas idéas para o lado opposto. Fui buscar minha filha, para assistir ao espectaculo do coração de v. s.ª, e dei-lhe um bello espectaculo. Snr. Sá, a sua posição é desagradavel, e faz-me pena, por não dizer tedio. Um homem como v. s.ª nunca devera erguer os olhos para uma menina honesta.