—Não lhe restam escrupulos?—tornou Melchior inclinando-se para o brasileiro.
—Não, senhor—disse elle—Estou satisfeito; o que eu não queria era que a menina viesse um dia a arrepender-se... e...
—Não espero tal desgraça...—interrompeu Ludovina, sem fitar os olhos no brasileiro.
—Da minha parte, hei-de fazer o possivel por lhe não dar desgosto, porque o meu natural é bom, e ninguem, até hoje, se deu mal comigo.
Ludovina ergueu-se, e pediu licença de retirar-se por um instante. D. Angelica entendeu-a, e seguiu-a pouco depois. Foi encontra'-la no quarto, afogada em soluços, curvada sobre o leito.
—Que é isto, filha?
—Nada, minha mãe...
—É muito, Ludovina; que tens?
—Precisão de desabafar assim. Estas lagrimas não fazem mal a ninguem. É uma victima que se entrega ao sacrificio, mas deixem-a chorar... Que vida, que futuro, meu Deus!
—Ludovina, não chores, e escuta-me. Eu não imaginava que teu pae te dera a semelhante homem. Tens razão... É repugnante, e horroroso. Não casarás com elle, menina.{49}