Agglomeravam-se na rua os curiosos, quando o barão entrou em casa. Não ouviu o mais leve rumor. Entrou no quarto de sua mulher, e viu-a dormindo.

Parou ao pé do leito, e vascolejou nas mandibulas, alvares uma gargalhada estrondosa. A baroneza acordou,{103} sentou-se no leito estremunhada sem saber o que ouvira, nem o que via.

O barão tirou da algibeira o charuto, chegou-lh'o ao pé dos olhos, e bradou:

—O tal patife não fuma outro.

—Que diz?—exclamou Ludovina.

—Faz-te de novas, mulher perdida! resa-lhe por alma, que a minha honra está vingada. Agora que digam o que quizerem.

E saíu do quarto, deixando apavorada a pobre senhora, que o julgou n'um terceiro ataque de loucura.

Ludovina vestiu-se apressadamente, e correu ao quarto da mãe.

Encontrou-a vestida, prostrada sobre o tapete do guarda cama, com a face caída sobre os degraus do leito. Ajoelhou ao pé d'ella, chamou-a, ergueu-a, agitou-a com a força da afflicção, e caíu com ella sobre a cama.

D. Angelica abriu os olhos pavidos, e vendo a filha, escondeu a face nas mãos, exclamando: