—Jesus, meu Deus!
—Que teve, mãesinha, isto que foi
—Nada, infeliz; foi um accidente...
—Por causa dos meus desgostos? ouviu o que aquelle homem me disse?
—Não, minha pobre martyr... imagino o que te diria... Oh... deixa-me ver se consigo chorar, senão estalo... mas não chores tu, filha, não quero que nos ouçam... É preciso que eu te salve, antes que a morte me leve com o encargo da tua reputação infamada...{104}
—Eu não a entendo, minha mãe!
—Não pódes entender-me, Ludovina, não pódes... ai! deixa-me respirar, que eu não vivo uma hora assim...
A baroneza amparou a mãe até á janella, que abriu. D. Angelica rasgava com as mãos os espartilhos compressores do collete, e fincava entre os cabellos os dedos com vertiginoso desespero. N'este frenesi, susteve-se, comprimindo a respiração, para escutar as vozes que vinham da rua contigua ao muro do jardim.
Uma dizia:
—Ia morto.