—Não tratemos agora da opinião publica, nem do barão. O pae saberá tudo. Venha ver a mãe, e vá depressinha, sim?

Melchior Pimenta entrou na camara de sua mulher. Tateou-lhe a testa que transpirava o suor da febre, sondou-lhe o pulso, afastou-lhe os cabellos dos olhos, e murmurou:

«Isto é doença séria, Ludovina!...

—Talvez não, meu pae... São afflicções que se curam com o socego da nossa casa. Não se demore. Vá por casa do medico e mande-o já. Se vir o barão não lhe diga nada, promette-me?

«Eu sei cá o que farei! Ao despedir-me, tenciono dizer-lhe que me não codilhou. Tu tens escriptura de dote. Quando quizeres, levantas vinte contos de réis...

—Pois sim, meu pae, esses negocios não são para agora. O que eu quero é a saude de minha mãe. Vamo-nos d'aqui embora, que eu torno a ser feliz... Se é meu amigo, não se demore; tire-nos d'este purgatorio.

Melchior Pimenta ia scismando no divorcio, e nos vinte contos, quando o barão lhe surgiu na extremidade do corredor.{125}

—Bons dias, sr. Melchior.

«Bons dias, sr. barão.

—Isso hoje foi madrugar!