«A minha honra não póde ser offendida nem vingada pelo sr. barão.
—Estou a ter pena do sr. Melchior! Venha aqui dentro que eu conto-lhe tudo.
«Que ha de o senhor contar?!—disse Melchior entrando na sala.—Quer contar-me a historia do charuto?
—O charuto! o charuto agora já me não serve a mim; é ao senhor; veja lá se o quer, que eu dou-lh'o de boa vontade.
«É para isso que me chama, sr. barão? De que me{126} serve a mim esse ridiculo instrumento com que o senhor está representando perfeitamente o papel de doudo?!
—Doudo quer o senhor fazer-me, mas ha-de-lhe custar... digo-lh'o eu... Sente-se ahi, e dê-me attenção, que o caso é muito serio...
Melchior Pimenta sentou-se impacientado. O barão de Celorico proseguiu, cerrando a porta da sala:
—O senhor tem vivido enganado com minha sogra, acho eu.
«O que?
—Tenha mão, não se atrigue, sr. Melchior. As desgraças são para os homens, e o remedio é atura'-las quando ellas chegam. Sua mulher não lhe tem sido fiel.