—Ella que me infamára aos olhos do homem que m'a atirou aos braços com uma gargalhada!

—Sobre infamado, matador!—acudiu Estevão—Ruim philosopho és, Domingos Leite! Se o meu auctor Guevara te não defendesse a esposa com o escudo da phisica, ainda assim deveras christã e honradamente desligar de ti a mulher indigna, e salvar tua honra interpondo o juizo do mundo como juiz na tua causa. A sentenciada seria ella; e tu, se fosses lastimado, não perderias com isso o direito á veneração dos homens de bem.

—Excellentes rasões...—atalhou Domingos Leite;—mas, sr. Estevão, se eu um dia fôr enganado, não me dê essas nem outras melhores, que eu não lh'as escutarei...

Discorreram sobre o assumpto breve espaço, porque Domingos Leite anciava reconciliar-se com a esposa, pedir-lhe perdão da injuria, indemnisal-a das perguntas ultrajantes com affagos de noivo apaixonado e repêzo da injustiça.

Maravilhou-se Maria Isabel, quando o esposo entrou alegre, e a surpresou enfardelando nos bahús os seus vestidos.

—Que fazes?!—perguntou elle já de má sombra.

—Arranjava a minha roupa...

—Com que intento?

—De me voltar a caza de meu pai.

—Fugindo?