Pedro Barbosa foi assassinado em 1621, quando recolhia da Relação para sua casa, que era um palacio na Ribeira. Este palacio, depois de 1640, passou a um dos conjurados, de appellido Noronha, e era dos marquezes de Angeja, quando o terremoto de 1755 o alluiu. Pedro Barbosa de Luna era de Vianna do Minho.
[Nota 6.ª]
O receio de que nos arguam de injusto n'esta apreciação do fundador da dynastia bragantina, obriga-nos a dar cópia exacta de um autographo, que possuimos, de D. João IV: são os apontamentos que o rei deu a Pedro Vieira da Silva como bazes do seu testamento. Quem leu o Testamento delRey D. João IV no tomo IV das Provas da Historia Genealogica da casa real por D. Antonio Caetano de Sousa, pagina 764 e seguintes, e o reputou da lavra do monarcha, tem rasão, se formar bom conceito da intelligencia do testador; quem porém vir os traços fundamentaes d'esse documento, duvidará que elle haja sido o auctor do livro de musica. Aqui está o traslado textual do testamento escripto do punho de D. João IV:
«Jesus Maria a quem emcomendo minha alma, nomeio primeiramente por herdeiro de meus Reynos, e Senhorios ao Princepe D. Afonso meu filho como a quem directamente pertensem e por que elle se acha em menor edade declaro por Regente de meos Reynos e tutora de meos filhos a Raynha minha sobre todas prezada mulher; e por que ella pode morrer ainda durante amenor idade de meu filho em tal cazo podera nomear os Tutores ou Tutor Governador ou governadores para meus filhos e estes Reynos e Senhorios pello conhecimento que tem delles e de meus vaçalos e porquanto fio dela e de sua prudencia e do amor que me tem que detudo o que aentregar fara o que eu fizera por ella a nomeio por minha testamenteira e que faça pella minha alma tudo quanto a ella lhe parecer que me comvém.
«Ordeno que meu corpo seja enterrado no convento de S. Vicente defora para onde se tresladarão os ossos de meu filho o Princepe D. Theodozio e os de minha filha a Infanta D. Joanna para o que se faram sepulturas decentes e no dito convento se diram coatro missas cotudianas duas pella minha alma e duas pello Princepe e Infanta.
«Deixo que os meus bens livres serepartão por meus filhos conforme a cada hum tocar e peço ao Princepe lhe conserve as doaçoens que tenho feito, e espero delle o faça e lhe acrecente outras visto que eu por não defraudar o patrimonio Real lhas dei tão limitadas. Deixo aminha terça ao Princepe mui sobre todos prezado filho e que della setirem vinte mil cruzados que a Rainha minha testamenteira repartirâ em obras pias cazando orfas e donzellas e dando esmollas a viuvas e pobres e porque destes ha muitos que são meus criados mando que seião (sejam) preferidos, e porque Antonio Cabide tem de todos inteiro conhecimento a Rainha se informara delle para saber quaes são os mais benemeritos e trez nomeadamente cujos nomes dira o meu confesçor.
«De Antonio cabide tenho inteira satisfação pello modo e zello com que sempre mecervio e asim peço a Rainha sequeira servir delle no mesmo modo com que eu me cervia por que fio delle o fara com toda a satisfação, e por que muitos tempos correu com toda a minha fazenda e medeu dela inteira conta o dou por quite e livre e que este lhe cirva de quitação. Declaro que tenho huma filha por nome D. Maria de huma mulher Limpa que esta no convento de Carnide a quem deixo a comenda mayor de santhiago para a formatura da qual tenho passado decretos a mesa da conciencia e ordens e se impetrarão do Papa os breves necessarios e asim mais as villas de Torres vedras colares, e os lugares de Azinhaga, e cartaxo, que logo os faço villas com jurisdição a parte com todas suas doaçoens de juro, e herdade sempre sojeitas a Ley mental, e porque nestas doaçõns pode aver ao diante duvida algua mando ao Princepe meu filho lhas satisfaça emquanto eqivalente, e sincoenta mil cruzados para por sua casa. E porque no modo e Estado que ella ouver de tomar tive alguns intentos de que tudo sabe Antonio Cabide pesso a Raynha informada delle siga minha mesma vontade.[13] Tenho tratado casar minha filha D. Catherina com El Rey de Franca por asim mo averem pedido Menistros daquella coroa e por que de todos estes negocios sabe a Raynha lhe pesso siga nelles meus proprios intentos.
«A Antonio Cabide dava todos os annos atitolo decerto cerviço meu das Rendas da casa de Bragança dous mil cruzados, a D. Maria minha filha mando se lhe dem na mesma forma athe tomar estado.
«Tenho satisfeito os testamentos de meus Avos principalmente tudo o que meu Senhor e Pay mandou e por que ao Morgado da Cruz conforme sua mesma instituição devo acrecentar Vinte mil cruzados de renda mando que dos meus bens se acrecentem.
«Os Reys mais que os outros homens devem dar ao mundo razão de suas acçõens. E asim digo que me restituhi a estes Reynos, e Senhorios por entender o devia fazer em conceencia por livrar a meus vaçalos do dominio, e violencia estrangeira e esta razam me obrigou a fazer huma couza que poderia ser contra meu natural. A Justiça e a observancia della conserva as Monarchias máis que as armas e asim encomendo ao Princepe meu filho siga nesta materia inviolavelmente esta acção.