—O quê?! bradou elle, erguendo-se.
—Leva a creança. Queres ir com teu pae, Angela?
A menina deteve-se a responder, olhando para ambos alternadamente.
—Queres ir commigo, filha?—perguntou o pae.
—E a mãe tambem vae?—disse a menina assustada e irresoluta.
—Eu vou-me embora, e nunca mais volto—tornou o pae—Não me tornas a vêr. Queres ir com o teu pae?
—E não torno a vêr a mãe?
—Hasde vêr, menina—acudiu Maria Isabel engulindo as lagrimas—Tu depois has de pedir ao pae que me deixe ir vêr-te, sim?.. pedes, filhinha?
Angela, sem perceber a profundesa do trance que ali se passava, abraçou-se na mãe, chorando. Domingos Leite cruzou os braços contemplando mãe e filha que se estreitavam num abraço convulso como o estorcer de suprema angustia. Volvidos alguns segundos, disse com o desanimo d'alma emfim sossobrada:
—Irei só. Tu ficas, Angela. Deus não quer que o anjo de innocencia vá nos braços d'um pae homicida mendigar o pão de estranhos. Não deves ter quinhão do meu castigo, pobre menina!... Agora, peço de novo á sua compaixão... Maria Isabel... que leve sua filha, e me deixe só...