E abraçou-se n'elle, abafando-lhe os gritos no seio.

O infeliz deixava-se abraçar, e murmurava:

—É verdade, Bernardo!... quem me viu!... O que era eu ha sete annos! Tão festejado, tão alegre, tão rico, tão esperançado... E agora!... sabes tu lá quanto eu sou digno de compaixão!...

Não tinha o ceo beneficio maior a dar-lhe que o d'aquella torrente de lagrimas...

—Como heide eu sahir d'aqui a tal hora?—disse elle ao criado.

—Se não tivesse grande precisão de sahir, que mal estaria aqui vossa mercê?—e proseguiu com risonho modo—Se ficar, paga-me o alimento e a dormida...

—Ficarei—conveio Domingos Leite—Olha, Bernardo se eu podesse ver a cama de minha filha... o berço, aquelle berço em que ella ás vezes dormia no meu quarto...

—Lá está ainda debaixo do leito de vossa mercê. Nunca mais entrou alguem na sua alcôva. A menina muitas vezes pediu á mãe que a deixasse lá entrar; mas a senhora—isto vi eu!—indo uma vez a entrar, para fazer a vontade á filhinha, assim que deu com os olhos nas coisas como vossa mercê as deixou, rompeu em tal choro que sahiu d'ali quasi nos meus braços.

Domingos Leite interrompeu-o asperamente.

—Cala-te, homem... O nome d'essa mulher nunca mais o pronuncies na minha presença, se me estimas!