—Que tem que ver uma cousa com outra, minha mãe!? É um pouco de dinheiro inutil, dinheiro que nunca me lembrou quando eu pensava em ser feliz com Leonor. Se o dinheiro não entrava por nada nas minhas contas, signal é de que não representa algum affecto de coração a minha prima.

—E se ella se despenhasse em novo precipicio? Se casasse com um homem que a expozesse a novas miserias?

—Dando-me minha mãe licença, continuaria a soccorrel-a, e a luctar contra a estrella fatal d'aquella infeliz.

—E crês tu na fatalidade, filho?...

—Creio, minha mãe.

—E a virtude que fica sendo?

—A fatalidade do bem.

—Não achas mais racional submetter á Providencia Divina, e á deducção dos actos humanos o que tu chamas fatalidade?!

—Eu—disse Alvaro com profunda amargura—não sei o que é melhor, nem mais racional, minha mãe... Se quer que eu lhe diga o que sinto... o melhor é... não viver; o bem supremo da vida é esquecêl-a. O que é a embriaguez no homem de espirito que conhece o travo da peçonha que bebe? O que é o suicidio, senão a passagem para o esquecimento?

—Deves ter soffrido muito, meu filho, porque te vejo sem religião?...