—Eu não venho pedir ao generoso filho do pae do condemnado que o salve, pagando o roubo, que sobe a muitos contos de reis. O que venho de mãos erguidas supplicar é que vossa excellencia empregue o valimento dos seus amigos para que a pena seja commutada em degredo perpetuo, sem o ferro aos pés, que assim o pede o desgraçado.

Alvaro ergueu'a mulher, que ajoelhara, e disse-lhe:

—O nome de seu filho?

—É Julio de Macedo.

—Farei o que poder. Vá a senhora dizer-lhe que espera alguma cousa dos meus esforços.

A italiana fez menção de ajoelhar outra vez, desconfiada da frieza d'aquellas palavras: impediu-a Alvaro, e seguiu-a até ao topo da escada.

Maria da Gloria, mais por amor de mãe que por curiosidade de mulher, tinha ouvido tudo. Sahiu, como desapercebida ao encontro de Alvaro, e disse-lhe risonha:

—Com que então as damas de Lisboa vem assim á hora do dia procurar-te em casa!? Queira Deus que me não raptem o meu Alvaro!...

Sorriu-se o moço, e ficou pensativo, cogitando no modo como fallaria a sua mãe.

—Em que pensas, filho!?—tornou ella rindo em gargalhada—Estás ainda arrobado na visão da deidade, que te veio roubar o socego?!... Diz o que sentes, Alvaro!