—Luctar a favor da mais fraca. Aconselhe-a, minha mãe; e, se não podér nada com ella, ampare-a como até aqui.
—E se eu lhe retirasse os meios—replicou Maria da Gloria—crês tu que o segundo calculista a não deixaria em paz?
—Deixaria: mas Leonor desceria na escala social até achar um indigente como ella.
—Á vista d'isso, filho, julgas incurável tua prima!?
—Julgo, mãe.
Foi Maria da Gloria a Buenos-Ayres, em hora de não receiar concorrencia, e poz logo o dedo na chaga.
—O teu mau anjo não te deixa, Leonor?
—Porque falla assim, minha tia?
—Dizem-me que estás á beira d'um segundo abysmo. São falladas as tuas intelligencias com um homem, que offerece menos condições de felicidade que o primeiro. Como tens tu coração para o amor, filha? Por que não quer Deus que chegue para ti a hora da reflexão? Como pagas tu o que deves a ti, á sociedade, e a mim? Levanta-te d'essa miseria, Leonor! Recobra a tua dignidade enxovalhada! Lembra-te das lagrimas, que choraste nos braços de Eufemia! Medita um pouco no nobre coração de meu filho, cuja alegria mataste, e envergonha-te dos novos ultrajes que preparas áquelle anjo, que te protege!
Leonor sahiu d'uma reconcentração de minutos para beijar a mão de sua tia, soltando estas palavras: