—Quero, filho: está ahi o meu confessor...
Sahiram da camara, e acharam fóra o confessor e o medico. O segundo pediu venia ao medico da alma para vêr a doente. Demorou-se instantes, e disse ao padre:
—Agora é toda sua a missão. Eu não venho em cata de esperanças; vinha espantar-me da serenidade da moribunda.
Depois de confessada, preparou-se o quarto para a recepção do Sagrado Viatico.
Alvaro, quando soube que sua mãe ia ser ungida, entrou no quarto, beijou-lhe a mão com torrentes de lagrimas, e pediu-lhe licença para vir da igreja acompanhando o Senhor. Maria fez um gesto de gostoso assentimento.
Soava já o toque lugubre da campainha, e o «bemdito» do povo, que acompanhava a extrema-unção. Os servos da casa ajoelharam na ante-camara da agonisante. Leonor estava já aos pés do leito, n'um recanto escuro, com as mãos erguidas.
Entrou o ostiario, e ao lado d'elle um outro sacerdote com as ambulas dos santos-oleos.
Ouviu-se um ai agudo, e o nome de Alvaro proferido com espanto. Leonor reconheceu-o, Maria descerrou as palpebras, e balbuciou:
—Não está aqui meu filho!?
E o levita, que entrára a par do vigário, aproximou-se da cabeceira do leito, e disse: