—Aqui estou, minha mãe.
Maria da Gloria estremeceu, estendeu os braços ao vulto que fallára na voz de seu filho, abriu a boca para deixar sahir a respiração convulsa, correu as mãos na face de Alvaro, que se aproximára da sua, e pôde exclamar:
—Tu!... Alvaro!... tu!... ministro de Jesus!
—Já vê que fico amortalhado, minha santa mãe...—disse o padre Alvaro.
Maria poz as mãos, cerrou os olhos, e murmurou:
—Infinitas graças, meu divino Senhor! Bemdito seja o vosso nome, Virgem Mãe de Jesus! Joanna das Cinco Chagas, santa, filha escolhida do meu Deus! pede um raio da tua gloria para a alma da tua serva!
Ajoelharam todos. Maria commungou, e foi ungida. Terminada a ceremonia, e desempedido o quarto, a moribunda acenou ao filho, que continuava de joelhos. Alvaro foi, e curvou-se sobre o leito, applicando-lhe o ouvido aos labios. Os labios de Maria já não tinham palavras; se estavam ainda quentes, era o calor do ultimo suspiro. Tomou-o Alvaro no coração quando a boca se entre-abria proferindo a palavra «mãe!»
Fez-se o terror do silencio alli n'aquelle quarto. Ninguem se desafogou em gritos, porque era de todos a dôr que os afoga na garganta.