Oublie-toi! dévoue-toi! sacrifie-toi!

J. SIMON (Le devoir.)

E não ha um remançoso abrigo onde saiam a repousar-se e a deleitar-nos estes desafortunados dos prazeres reaes da vida!

De força ha-de o animo do leitor compenetrar-se dos regalos intimos da virtude, para entender que a virtude é boa?

Quando raiará o dia de felicidade para Alvaro?

Quando entardeceu o dia de contentamento para Maria da Gloria?

Peccaminosa pergunta, se o leitor duvida das consolações mysteriosas com que Deus acode e se amerceia dos que o confessam e chamam nas atribulações.

Que ante gosto da bemaventurança não provou Maria, abraçando aquella mortalha de seu filho! Que suave doer, e dulcissimo anhelar a Deus não será o d'aquelle levita na correnteza dos annos, de penitencia voluntaria, e de evangelica abnegação? Não duvidemos: abaste-nos o orgulho da nossa miseria, e não façamos do nosso scepticismo um cadafalso injurioso á dor e á fé. Se em volta de nós não vemos senão imagens nossas, e almas aferidas no padrão vulgar; se a nossa idéa do prazer a aceitamos do vulgo, remodelada nas suas apreciações; será justo que não desdenhemos a felicidade que nos fica incomprehensivel áquem da baliza onde o curto alcance do espirito viciado nos leva.

Se Alvaro foi feliz?! Perguntemos a Deus se os seus martyres correm n'este mundo os estadios de suas dores, sem que a luz ineffavel de seus olhos os não guie ao horisonte da bemaventurança, assignalado pela cruz! E o caminhar sem desvio nem tropeços á patria infinita que nome tem, se não é a felicidade suprema?

Oito dias depois do trespasse de Maria da Gloria, padre Alvaro fallou a sua prima, n'um tom de voz e magestade de postura, que denotava a mudança do homem, ou o esforço d'elle sobre o coração do homem amortalhado.