—Se morreu, é outra cousa... Então diga-me que morreu. Morreu ou não?
—Está bom, menino; deixe-se de querer saber o que não lhe importa—disse, em conclusão, a perturbada ama, fugindo a novas perguntas.
Manoel Teixeira, pae de Alvaro, queria do coração ao seu filho unico. Amimava-o n'aquella idade como no berço. Parecia crescer o amor á proporção que as feições do menino se iam compondo, retrato fiel das suas.
N'esse mesmo dia de inquietação para a boa Eufemia, estava o menino sentado nos joelhos de seu pae, que lhe anediava os cabellos, e aparava as unhas.
—Ó papá—disse Alvaro com um gesto carinhoso—a minha mãe já morreu?
Manoel Teixeira ficou por um pouco tempo suspenso; mas continuou a aparar as unhas do menino, e disfarçou a resposta com algumas perguntas concernentes ao collegio.
Estava Alvaro a ponto de sahir do gabinete de seu pae, e, como levado de providencial impulso, retrocedeu, e disse:
—O papá não me disse se a minha mãe morreu...
—Morreu—disse seccamente o pae.
Foi o primeiro gesto de enfado que viu Alvaro no rosto d'elle, sempre de riso e meiguice.