—Quem?—disseram algumas vozes.

—O meu poeta!

—O teu poeta!—disse, com molesta accentuação, Maria da Gloria: e chamando a segredo o cunhado, disse-lhe ao ouvido:—Não deixe assim fallar sua filha, que não é bonito aquillo!...

—Por que, mana?—disse em voz alta o morgado—Ahi está o effeito dos conventos! Temos bioquice! Que tem que ella diga o seu poeta? Palavras n'aquella bôca não significam nada, mana Maria! É uma criança: deixal-a fallar.

Miguel de Sotto-Mayor tinha chegado ao grupo, e cortejou-o com desembaraço e elegancia.

—Viva o poeta!—disse Sebastião de Brito,—Eu amo os poetas, e gosto das suas relações. A sua bella musa está accesa para a noite?

—A minha musa—disse o moço—está sempre fria; e, se alguma fortuna tiver, devel-a-ha aos calorosos louvores que vossa excellencia lhe dá, posto que os não mereça.

—Pelo contrario: minha filha está encantada dos seus versos, e já sabe quem o senhor é. Alli tem uma criança que já leu os melhores poetas portuguezes!...

—Razão de mais—redarguiu o de Villa do Conde—para não gostar das minhas poesias incultas e sem mais merito que o da natureza.

O poeta foi indo no grupo, respondendo com frivolidades a outras do palavroso morgado, e agradecendo com delicados olhares á expressão penetrante dos olhos de Leonor, que parecia embevecida nas palavras d'elle.