Ha coragem para o suicidio, quando não houve força para resistir ao crime?
Theses para fôlegos grandes.
Vamos ao caso; e o leitor, se me quer honrar com a sua collaboração, moralise.
Assim que Thomazia teve razão efficaz para se considerar mãe, caiu em joelhos aos pés de Nicoláo d’Almeida supplicando-lhe que a livrasse de tão clara prova do seu crime.
Nicoláo levantou-a nos braços convulsos de meiguice, e deixou fallar o coração:
—Estás salva; foge comigo!
E ella, cobrindo o rosto com as mãos, exclamou suffocada pelo medo de ser ouvida:
—Oh! que vergonha! que perdida me vejo!... Não me digas que fuja, porque eu nunca pensei em poder dar semelhante passo. Ó Nicoláo, eu o que te peço é... não sei dizer-t’o... não posso, que me faz horror esta idéa...
—Adivinho-te—interrompeu elle com amargura—e não te posso crer?... Tu querias matar o meu filho?
Thomazia arquejava sem ousar responder.