—Olhem o que faz a alegria!—clamou o velho.—Levem-n’a para cima, coitadinha! levem-n’a com geito, que isto passa logo... Eu vou ler a carta para vossês todos ouvirem ao pé da cama da nossa pobre filha.
—O peior é se este sobresalto lhe faz mal á creancinha!—disse D. Thomazia.
—Não hade fazer, se Deus quizer!—contrariou Gervasio, seguindo o grupo em cujo centro ia a esposa sem sentidos, amparada nos braços de todos.
Defumaram-n’a com alfazema e ungiram-lhe as fontes de vinagre. Descerrou as palpebras de sobre os espantados olhos. Viu muita gente a rir-se e a chorar de alegria, e já o sogro com a carta aberta, dizendo:
—Escuta lá, filha, escuta o que diz o teu homem. Diz pouco por que está doentinho; mas é bastante para ficarmos doidos de alegria. Ouve, menina.
Leu. Thomazia fazia ranjer o leito com as tremuras.
—Vês?—proseguiu Gervasio.—Olha como elle está contente, menina!
—Mas está doentinho!—accudiu a mãe.—Queira Deus que a doença seja leve.
—Hade ser, se Deus quizer!
—Ó manas—tornou D. Thomazia—vamos já pedir a Nosso Senhor que lhe dê saude. Vinde para o oratorio.