—Que tens, menina?!—clamou alvoroçado o sogro.

—Ai!—repetiu ella gemebunda, estendendo os braços e batendo os dentes.

Gervasio foi chamar a mulher aceleradamente gritando que Thomazinha estava muito mal. Acudiu a senhora com as cunhadas, e observou ao marido, em termos caseiros, que o sobresalto da noticia poderia antecipar a hora que não obedece sempre ao ciclo das nove luas.

Foi chamado o facultativo de maior nome em obstetetrica, ladeado de duas famigeradas comadres.

D. Thomazia diagnosticára magistralmente o incommodo, segundo concordou com o facultativo e as previstas assistentes.

Apoz trez horas de gritos alternados com desmaios, viu Gervasio sair sua mulher com um menino recemnascido nos braços.

—Nasceu de oito mezes!—dizia a radiosa velha.—Está vingado e perfeitinho!

O velho encarou na creança muito de perto; mas não ousou pôr-lhe os beiços cubiçosos, receioso de lhe magoar as carnes tenrinhas.

Ao mesmo tempo, no segundo andar da casa do marceneiro, Nicoláo d’Almeida, já informado de que se esperava Innocencio, e de que o medico e parteiras tinham sido chamados á pressa, imitava na irrequietação, no desesperar-se, nos exteriores de uma ancia insoffrida, as torturas por que tinha passado em Milão o marido de Thomazia.

As agonias eram diversas; e todavia não sabemos decidir em qual das duas almas podia caber mais um gume de ferro. O marido arfava no anceio de a matar. O amante na impossibilidade de a salvar, cuidando que ella ia morrer. Quem optaria de prompto pelo mais suave d’estes dois infernos?