—O meu filho!—exclamava ella.—Vae buscar o meu filho, antes que chegue Innocencio, que póde matar-m’o!... O teu filho, Nicoláo!... Corre lá... tira-o aos braços da ama... traz-m’o, que se não vês-me aqui morrer de dôr!

Estes rogos eram desarrasoados, depois d’ella já ter dito que, no lance da fuga, o menino estava fóra de casa. Além de quê, Nicoláo acovardava-se de romper a multidão que pejava o pateo de Gervasio, e ir arrancar uma creança aos braços da ama no seio de numerosa familia. Absteve-se pois de obedecer ás supplicas de Thomazia, abafou a propria angustia e disse-lhe:

—Primeiro que tudo, sair d’aqui.

—E o meu filho?—acudiu ella.

—Trata-se da tua segurança agora. Não percamos tudo por amor da creança...

—E se elle a mata...?

—Não ha ferocidade tamanha em coração de homem nenhum... A occasião não permitte questões, Thomazia!... É sair... e já pela porta do quintal que vae dar á cerca de S. Domingos.

N’isto, avisou a filha do marceneiro que ia entrando muita gente para casa de Gervasio.

—Depressa...—disse Nicoláo, tirando pelo braço a inerte mãe de Pedro.

Minutos depois, subiam as escadas da Esnoga. Ella ia soluçando, e elle apanhava as lagrimas no lenço.