—A ama saiu com elle á tardinha; mas não tarda ahi—respondeu a madrinha tremente e assombrada.

—Quero o meu filho!—rebradava Thomazia, indo bater á porta do quarto da ama.

—Menina, não está ahi a ama! já te disse que ella foi dar ao Pedrinho o ar da fresca, e volta logo. Ó Virgem Mãe de Deus! pelas chagas de vosso Filho, fazei que ella não perca o juizo!

E ajoelhára de mãos erguidas com as cunhadas a velha angustiadissima.

Em quanto ellas ciciavam fervorosas orações, Thomazia desceu as escadas como quem se precipita.

—Onde vae ella?!—gritou D. Sebastiana.

E desceram todas tão depressa, quanto a idade e a nutrição lhes consentia.

Quando chegaram ao pateo, já não entreviram Thomazia na escuridade da estreita rua, e proromperam chamando-a a brados.

Ajuntaram-se os transeuntes ouvindo as lastimas, com quanto pesar podiam, por não entenderem a fundo a causa dos gritos. Queriam elles ir logo de porta em porta relatar o escandalo; mas as senhoras vexavam-se de dizer que Thomazia fugira doida pela rua fóra.

A este tempo, a mulher de Innocencio, no 2.º andar da casa do marceneiro, arquejava anciadissima nos braços de Nicoláo d’Almeida.