Estava Thomazia cogitando modos como, no dia seguinte á mesma hora, havia de fugir com o filho, quando se levantou um subito ruido de muitas vozes no escriptorio, onde o sogro ainda estava.

Thomazia expediu um grito e quasi perdeu o alento, cuidando que chegára o marido.

Encostada á parede, foi-se acercando da escada, e debruçou-se no corrimão. Era a tempo que Gervasio e dois amigos vinham subindo, e as trez senhoras e os outros velhos iam descendo. O velho exclamava:

—Ahi está o paquete defronte da barra. Pediu lancha para pôr em terra passageiros. Está ahi o nosso Innocencio! Vão dizel-o a Thomazia, que nós partimos já para a Foz; mas olhem lá como lh’o dizem, que não vá dar alguma coisa na pequena. Preparem a ceia.

—Mas será elle?!—atalhou a esposa.

—Pois quem hade ser?! certificou Gervasio—É elle, não póde deixar de ser elle... Até logo, nós cá vamos encontral-o ao caminho.

Entraram as trez senhoras ao quarto de Thomazia e fizeram pé atraz de puro espavoridas. A esposa de Innocencio guinava de uma parede para outra com as mãos apertadas nas fontes, despedindo gritos em que se conheciam mal articuladas as palavras «meu filho!»

—Jesus, santo nome de Jesus!—clamava a sogra—Ó menina, que tens tu? Olha que vem ahi teu marido, filha!...—E, voltada ás cunhadas, continuava:—Querem as manas ver que ella endoideceu!

N’este acto, rompeu Thomazia por entre ellas e desceu ao primeiro andar a procurar o filho.

—O meu filho?—dizia ella em altos clamores—o meu filho?