D. Thomazia, a viuva, e Nicoláo de Almeida deliciavam-se campestremente nas inspirativas margens do rio Minho.
Vestia de crepe a formosa. Era-lhe realce o escuro. Trajada de côres festivas, a alma saía-lhe ao rosto a dar reflexos de alegria aos lutos.
Nicoláo remava no batel, por baixo de um docel de salgueiros. Os remos trapeavam cadentes, de uma ourela para outra do rio. Cada vez que aproavam a terra e abicavam por entre os bosquesinhos espelhados n’agua, saíam da frescura os rouxinões esvoaçados, e iam mais longe emboscar-se n’algum amieiral, onde a lua bem sabia que era esperada dos seus cantores nocturnos.
—És feliz?—perguntou-lhe Nicoláo secretamente vaidoso de abrir thesouros de felicidade para aquella mulher.
—Não...—murmurou ella surrindo-lhe meiguices de quem pede perdão do aggravo.—Falta-me o nosso filho.
—Não te basta a certeza de que elle hade vir?
—E a saudade? e o medo que m’o tirem ou o façam desapparecer?...
—Não ganhavam com isso nada.
—Mas se meu padrinho cuidar que elle é seu neto?...
—Nem assim lhe assiste o direito de t’o negar.