O procurador de D. Thomazia apresentou ao juiz o requerimento da sua constituinte, pedindo a entrega do filho. Deferiu o juiz. Gervasio José de Barros saiu com embargos ao despacho. Allegava o porte immoral da viuva que não podia ser boa educadora do filho. Desfiavam os artigos a historia das adulteras invasões do amante por escada de corda, consoante as referira o commendador Batalha. As testemunhas de vista eram já sobejas para justificar o crime, e pelo conseguinte a devassidão da viuva, concubinaria de Nicoláo d’Almeida. Accrescentava o libello que Innocencio José de Barros morrêra de paixão e vergonha.
Foram acceitos os embargos.
O procurador aggravou: não teve provimento.
A conjuração contra Thomazia subia das praças aos tribunaes. Os juizes da Relação, no seu accordão, ajustavam á aggravante o epitheto de «infame».
Nicoláo d’Almeida, informado do despacho da causa em segunda instancia, auctorisou o procurador a declarar em nome da sua constituinte que o filho de Thomazia não era filho de Innocencio.
O agente de causas foi retido pelo pudor de sua propria pessoa. Respondeu que regeitava a procuração, e difficilmente encontraria advogado que assignasse a original e de nenhum modo desculpavel declaração.
Os amigos do fidalgo admoestaram-n’o a que não expozesse o nome de D. Thomazia, se a presava tanto como era de presumir; que semelhante requerimento sobrepujava o cumulo do despejo; que, embora o mundo a considerasse criminosa, não fosse ella dobrar a fealdade da sua culpa, revelando segredos que a livelariam hombro por hombro das mulheres derrancadas até onde já não resta sentimento de vergonha.
Caiu em si Nicoláo, e voltou o espirito para a urdidura de traça heroica e summaria. Cogitava em raptar a creança.
Decorreram quinze dias de plano, em que entrava o marceneiro, auctorisado a segurar á ama do menino uma avultada independencia.
Outros quinze dias espiou João Ferreira os passos da ama. Não a viu. As janellas de Gervasio nunca mais se abriram, e as portas meio cerradas escassamente deixavam passar as visitas frequentes, os bons amigos do negociante que lhe alvidravam alienar fraudulentamente os seus haveres e mudar de paiz.