O mancebo, com os braços pendentes, rosto abatido, e olhos carregados de lagrimas, dizia entre si:
—Que dezenove annos os meus! Que mocidade! Que portas se me abrem para tão negra vida!... Nunca mais poderei ter hora de contentamento! Heide ver meu pae envelhecer n’aquelle tormento, e a minha pobre mãe a pedir a Deus que lhe dê vida para ainda ver a luz da razão nos olhos d’elle!...
Interrompeu-lhe o recolhimento doloroso o surgir subito de um homem desconhecido no patamar da escada que conduzia á sala.
Fitou-o e perguntou:
—Quem procura?
—Nicoláo d’Almeida.
—Não recebe senão os medicos. Sou filho d’elle. Represento meu pae n’esta casa. Quem é o senhor?
—Um homem que procura os infames quando elles se escondem, ou fingem doidos para se furtarem á responsabilidade das suas protervias.
Lopo d’Almeida mediu-o da cabeça aos pés, e respondeu:
—Não encontrou um lacaio no páteo quando entrou aqui?