—Eu estava aqui...—tartamudou a orfã, encostando-se a uma commoda, sobre a qual estava uma folha de papel e o tinteiro da sua escripta.
—Estavas a fazer o teu traslado?
—Estava... a escrevinhar...—tartamudou a candida assucena acerejando-se lindamente.
—Deixa lá vêr como estás adiantada...
—Ora...—tornou ella, oppondo uma atrapalhada resistencia ao velho, que foi direito ao papel.
Innocencio desconfiaria dos inoffensivos exercicios caligraphicos da sua discipula? Parece que sim; por que, adeantando-se á moderada curiosidade do pae, estendeu o braço e subtraiu o papel por entre os dois.
Thomazia ia começar um desmaio, quando a innocencia reagiu ao insulto nervoso, recobrando-lhe a alma para sair-se bem do apêrto.
Innocencio leu alto, alternando os olhos entre ella e o pae.
Meu caro amor do meu coração, e unico bem da minha paixão...
—Ai!—exclamou o risonho velho.—A menina faz versos? ou isso não é da tua cabeça?...