—Escrevia, sim, senhor; mas não a mandava... Eu bem sei que me não ama a pessoa a quem eu escrevia...
—Querem vocês vêr...—atalhou Gervasio com o carão allumiado de dois raios de esperteza e alegria interior—querem vocês vêr... Tu ainda não percebeste, Innocencio?
—Eu, não, senhor.
—Pois não percebeste, pedaço d’asno?... A carta era para... Diz tu, menina... Para quem era a carta?...
Thomazia olhou carinhosa para o padrinho, e balbuciou muito dengosa:
—Elle bem sabe... mas... não lhe faz conta dizer.
—Entendeste agora, rapaz?—bradou o velho victorioso e inchado de sua soberba.
—Ora, meu pae...—replicou o incredulo fazendo um momo plebeu como a frase—eu não engulo maranhões... Esta carta não era para mim...
—Pois p’ra quem havia de ser, bruto?—retorquiu o pae, batendo palmas na cabeça.
A orfã, apparentando doloroso constrangimento, pediu ao padrinho liçença para sair do quarto.