Ao decimo quarto dia, concluida a devoção dos treze decorridos sem novidade, saía Custodia da Sé, e ao descer do Arco da Senhora de Vandoma para a Rua Chã, chegou-se d’ella um bem assombrado e galhardo moço que lhe disse:

—Muito bons dias, senhora Custodia.

—Deus lhe dê os mesmos. Quem é vossa senhoria?—cortejou e perguntou a velha, alvoroçada com o rebate de ser chegado o enviado de S. Gonçalo, seu procurador de causas matrimoniaes em ultima estancia.

—Sou, disse elle, um rapaz que muito ama a senhora D. Thomazinha, e venho confiar de vocemecê este segredo, pedindo-lhe que não duvide fazer os serviços que puder á felicidade da menina a quem adoro.

—Vossa senhoria sentiu alguma coisa no coração para vir ter-se comigo?—perguntou a risonha Custodia, querendo verificar se de feito o gentil moço fôra tocado por S. Gonçalo d’Amarante.

—Senti, sim...—confirmou elle, bem que respondesse a uma idéa que não era a intencional da pergunta.

—Sentiu coisa no seu interior?—tornou ella.

—Uma paixão ardente pela menina que me não deixa dormir nem comer.

—Desde quando foi isso? lembra-se?...

—Desde que a vi no Reimão, e depois que a tornei a ver no theatro...