—Justamente: ha treze para cá...

—Então posso ir agradecer ao meu S. Gonçalo...—acudiu com enthusiastico fervor a velha.—E como é a sua graça de vossa senhoria?

Proferiu o moço um nome com dois appellidos que n’aquelle tempo significavam uma familia das mais enriquecidas no commercio. Custodia esbugalhou os olhos inchados da alegria que lhe sobejava do riso, e exclamou:

—Que bonito noivo vae ter a filha da minha ama!... Não caibo na pelle!... Vossa senhoria, ainda que eu seja confiada, ha de ser tão rico ou mais que o Innocencio do senhor Gervasio das Cangostas...

—Não sei; mas por que me faz essa pergunta?

—Cá me entendo.

—Tambem eu a entendo, senhora... senhora...

—Custodia da Porciuncula, sua criada por muitos annos e bons.

—Vem a dizer a senhora Custodia que o filho do Gervasio quer casar com a senhora D. Thomazia...

—É o pae, pelos modos, que trabalha para amanhar isso; mas a pequena não assigna, é por’ora...; e, se Deus quizer, o marido d’ella ha de ser vossa senhoria, ou S. Gonçalo não tem poder nenhum...—disse Custodia com a pia intenção de estimular o capricho do santo empenhado.