—De que, meu padrinho?!

Entraram no escriptorio. Thomazia viu as costas de Innocencio que estava olhando para o saguão atravez da vidraça.

—Com que então...—disse Gervasio, bamboando a cabeça—com que então...

A moça esperava o resto, serenamente encarada, com as mãos nos bolcinhos do avental.

—Afinal de contas...—proseguiu o entalado velho, saltando do exordio ao final de contas.—Que me dizes tu a isto, Thomazia?...

—A isto quê, meu padrinho?! Eu não sei por que vocemecê me está tratando assim...

—Não sabes?!—bradou Gervasio—não sabes?... Com que então... aquella carta era para o meu filho?... era para o meu filho que tu estavas escrevendo a cartinha, sim?

—Era, sim, senhor.

—Não minta!—entreveio Innocencio; rodando sobre os engonços dos calcanhares com a presteza de um manequim. Não minta! A senhora não foi, ha bocado, á janella, quando passava a cavallo o João José da Costa Guimarães?

—Quem é esse?—acudiu a menina com assombrada innocencia—eu conheço lá o Guimarães!...