Entrados ao armazem, fechou o velho a porta, e rompeu assim de vizeira com Innocencio:
—Queres casar ou não? Gostas da rapariga ou não gostas? Diz lá o que quizeres, que eu não t’o levo a mal. Se vês que te não agrada o casamento, dil-o p’r ahi á bocca cheia. Cá ás costas não quero culpas. Queres a moça ou não queres?
N’este lance, o rapaz viu trez bonitas raparigas: uma era a visinha Mariquinhas Gomes, que tocava piano; outra, era a Felismina da rua das Flores, que lhe tinha dado amendoas, na Misericordia, em quinta feira santa, ao pé da pia; a terceira era a Rosinha da Praça Nova, que lhe pisára um pé, estando elle a jogar o quino em casa da mesma menina, a mais presada das trez. Por tanto eram trez provas de ternura que lhe lancetavam o coração n’aquelle momento. Trez meninas, aliás quatro com Thomazia, que lhe embaraçavam a escolha, obrigando-o a ter mais engenho que o pensador e historico burro de Buridan.
N’esta oscillação, demorou-se o que bastou para o pae concluir assim terminantemente:
—Está visto... Não queres a rapariga... Acabou-se; não fallemos mais n’isto. Vamos embora.
—Olhe cá, meu pae...—susteve Innocencio.
—Que é?
—Eu queria dizer-lhe uma coisa...
—Então?
—Peço quinze dias de espera.