—Sempre fui teu amigo desde a escola—disse Roque—e hei de sêl-o até á morte.
—Tambem eu fui sempre teu.... tartamelou Innocencio, pedindo-lhe o cigarro para accender o charuto.
—Lá com o que faz a minha familia não me importo. Se estiverem de mal comtigo, deixal-os estar. Pois hei de querer-te mal porque não casaste com minha irmã Rosa? Não... Fizeste o que te pediu o coração, e...
—Foi meu pae...—atalhou Innocencio abemolando piedosamente a voz.
—Eu logo vi que foi teu pae: que tu por tua vontade não casavas com quem casaste. Isso mesmo disse eu á minha familia... Parece que adivinhava! Quando me affirmaram que casaste por namoro, gritei sempre que era mentira; ou então não sabias quem ella era...
—Ella quem?
—A senhora D. Thomazia, acho que é Thomazia a mulher.
É; mas então... dizes tu... que eu não sabia quem ella era?
—Sim, não sabias...
—Sabia muito bem. O pae d’ella era um capitão que morreu no cêrco, e a mãe uma senhora que morou sempre defronte da minha casa, e era filha de um negociante fallido com honra, depois dos francezes.