—Não digo o que tu pensas, meu amigo. A minha idéa é outra.

—Sim, tu disseste que eu não sabia quem era Thomazia—insistiu Innocencio com a voz alterada.—Que vem isso a ser?

—Já que m’o perguntas com esse fogo, sempre te vou explicar o meu pensamento. Tu és um rapaz de caracter e brios. Diz-me cá: se te avisassem de que a menina com quem querias casar andava escrevendo cartas a uns e a outros, casavas com ella?

—Não; mas...?

—E se te contassem que um dos seus namorados vinha ler as cartas d’ella na Praça Nova, no meio de uma roda de lordes de luva branca, para que elles rissem até romper pelas ilhargas, casavas com ella? Sim, pergunto eu...

—Não, já t’o disse; mas que tem isso com minha mulher?

—Que tem? essa é boa! tem tudo; porque tua mulher é que escrevia cartas ao Costa Guimarães, que tu conheces perfeitamente, não conheces?

—Sim...

—E elle, ali á esquina da Praça Nova, que o vi eu com estes dois, esteve a ler em alta voz uma carta, em que ella por signal dizia tolices de palmo e meio, e eram as gargalhadas tantas que até parava a gentalha espantada. Aqui tens agora por que eu te dizia que...

—Tu juras pela vida de teu pae que não mentes, Roque?—exclamou Innocencio trespassado de dôr que só vilissimas almas ousariam motejar.