Havia ainda muita coisa boa na alma d’aquella mulher. Córava!
CAPITULO XI
Argumento
Innocencio resiste á ceia de pescada cosida. Injurias selvagens que elle dardeja á esposa. Acode Gervasio embrulhado n’um capote de trez cabeções. Socega o truculento. Gervasio manda sair Custodia. A velha faz chorar as pedras, saudosa da sua menina. Lança-se-lhe nos braços, e sae d’elles moribunda. Expira a velhinha. O author escreve o elogio da defunta, e dirige-lhe uma allocução commovente, como consta d’este sentimental capitulo.
No transito da Batalha á rua das Cangostas, os beiços de Innocencio não se abriram. Entrou em casa carrancudo como um somnambulo. Não quiz cear, com quanto a mãe, o pae e as tias lhe asseverassem que a pescada cosida a podiam comer os anjos, de boa que estava. A esposa escassamente comeu, e foi para o seu quarto onde o marido passeiava rapido e assoprando.
—Que tens tu?—perguntou ella mais altiva que carinhosa.
—Tenho vergonha de ser seu marido!—respondeu com selvagem e concisa eloquencia o aprumado Innocencio, voltando-lhe as espaçosas costas.
A senhora ficou transida de frio e assombrada largo tempo sem poder articular a réplica.
Voltou-se rapido contra ella o marido e repetiu:
—Sim, é o que lhe digo: tenho vergonha de ser casado com a senhora!